Religião



Religião é um tema frequente aqui em casa. Thaíse e eu éramos religiosos até pouco tempo, mas com experiências diferentes. Cresci em um ambiente relativamente livre, tendo contato com as três principais religiões aqui no Brasil: Catolicismo, Protestantismo e religiões de matrizes africanas. Contudo, a que era mais aceita para que eu seguisse, sem dúvida, era o Protestantismo. Meu pai é um evangélico tradicional, cursou teologia e tinha um conhecimento profundo sobre dogmas, não aceitando qualquer conceito livremente, sendo sempre crítico até mesmo à própria igreja. Minha mãe, por um tempo, não tinha uma religião muito bem definida, mas depois encontrou seu caminho na igreja evangélica, tornando-se crítica às outras crenças. A influência das religiões de matrizes africanas veio da minha avó materna, mas, após alguns acontecimentos, ela abriu mão disso e criou-se uma sensação de que esse tema era proibido dentro de casa. Com toda essa mistura, passei muito tempo sendo evangélico, servindo fielmente e estudando bastante.
Thaíse, por sua vez, teve uma experiência diferente. Sua mãe era católica, mas seu pai, durante muito tempo, se definiu como ateu e não a incentivava a seguir uma religião. Por um bom tempo, ela não professou nenhuma fé específica até que, após alguns eventos, foi levada a conhecer uma igreja evangélica, tornando-se uma membra efetiva. Durante a pandemia de 2020, não frequentávamos uma igreja específica, mas ainda realizávamos cultos domésticos e nos considerávamos cristãos protestantes. Com o tempo, olhar a igreja de um ponto de vista externo me fez perceber o mal que a religião pode causar à sociedade. Pode fazer bem ao indivíduo, mas no geral, não vejo benefícios sociais. Tornei-me muito crítico em relação a qualquer religião e hoje não me defino como religioso.
Com tudo isso, sinceramente, não gostaria que Sofia seguisse alguma religião. Acredito que encarar os desafios da vida, ciente da aleatoriedade dos eventos que ela proporciona, e compreendendo que o que acontece, seja bom ou ruim, não tem relação com nenhuma entidade superior, proporcionará a ela uma visão mais realista da vida. Ao mesmo tempo, sei que isso torna as coisas um pouco menos mágicas. Não poderei dizer que alguém foi morar com "papai do céu" quando falecer. Não poderei afirmar que "papai do céu" não gosta quando ela fizer algo errado. Não poderei dizer que tudo vai melhorar porque "papai do céu" é bom. Essa é uma tarefa mais desafiadora que devo aceitar. Ao mesmo tempo que não incentivarei, também não a desincentivarei; ela será livre para fazer suas escolhas, e por mais que isso possa me incomodar, proporcionar um ambiente de livre reflexão é meu papel. Isso é o que talvez eu desejasse lá atrás.