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Incentivo e pressão

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Erick Leandro
Erick Leandro

Percebo que a maior parte dos textos que escrevi até agora neste blog trata mais das minhas dúvidas em relação ao exercício de ser pai. Isso ocorre porque não desejo ser apenas mais um pai; quero ser o melhor que posso ser para Sofia, e, portanto, surgem muitas dúvidas. Às vezes, essas dúvidas são tantas que não consigo organizá-las para escrever sobre cada uma.

Uma questão que sempre me intrigou é o quanto devo incentivar Sofia em algo, até que ponto devo ajudá-la a persistir sem que isso se torne uma obsessão, tanto para ela quanto para mim.

Na minha infância, pratiquei judô e parecia ter habilidade para isso. Não sei se por que gostava tanto, mas sentia que era bom naquilo. O professor permitiu que eu treinasse sem pagar por um tempo, mas a academia, que era vinculada à escola, fechou. Depois disso, só retornei ao treino já adulto mas, o ritmo não era mais o mesmo, o corpo, o tempo e a oportunidade de me dedicar exclusivamente àquilo tinham passado. Desde então, sempre tive em mente que, quando fosse pai, não deixaria oportunidades como essa escaparem. Incentivaria meu filho no que ele desejasse, e a ideia seria não abrir mão dos sonhos dele. No entanto, quando exatamente começa um sonho? Quando sabemos o que queremos fazer?

Ao retomar a prática esportiva, percebi um lado sombrio que, na idade adulta, compreendi como a projeção dos sonhos não realizados dos pais sobre os filhos. Pais, professores, ex-atletas e atletas amadores depositam todas as suas expectativas nos filhos, transformando algo que deveria ser lúdico em algo adoecedor. Essa palavra é apropriada, especialmente no esporte, onde a prática de exercícios de alto rendimento pode se tornar prejudicial ao corpo. Ao mesmo tempo, surge a pergunta: os atletas que atingiram o topo teriam chegado lá sem o apoio dos pais? Com os estudos e avanços científicos no esporte hoje em dia, alguém que começa na juventude tem chances iguais contra alguém que começou na infância? Pessoalmente, não tenho certeza. Em algumas das minhas "habilidades", sempre me pego pensando: "Ah, se eu tivesse começado cedo a praticar isso..."

Recentemente, comprei um Ukulele para Sofia. Gosto de tocar violão e já toquei guitarra e contrabaixo em bandas, embora nunca tenha levado isso de maneira profissional. No entanto, desejo incentivar a musicalidade em casa. Acredito que aprender um instrumento traz inúmeros benefícios, e o Ukulele é uma forma de despertar o interesse dela, já que se assemelha a um violão em miniatura. No entanto, a simples aquisição do instrumento me leva ao mesmo questionamento: devo incentivar para gerar nela o desejo de se tornar uma profissional da música? Devo ajudá-la em um estudo guiado e, quem sabe, posteriormente matriculá-la em uma escola de música? E se ela se tornar uma excelente musicista?

Assim como no esporte, a música exige dedicação, treinamento e esforço, e encontrar o equilíbrio entre incentivo e insistência é crucial. Eu reconheço isso, mas se fosse fácil, não teria tantas dúvidas, e talvez não teria criado este blog.