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Experiências?

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Erick Leandro
Erick Leandro

Nascer e viver toda a minha vida no interior de Pernambuco limitou algumas experiências que poderia ter, mas ao mesmo tempo me proporcionou muitas outras. Ser criado na típica cidade pequena fez com que eu só fosse a um shopping na juventude, ao cinema apenas na adolescência e, tardiamente, realizar outras atividades que são comuns para quem nasce em uma cidade grande. No entanto, pude explorar a cidade e a zona rural de bicicleta com meus amigos, permanecer na rua até altas horas da noite e voltar para casa apenas quando já era hora de dormir. Brincar de esconde-esconde no campo à noite era uma diversão constante, pois era mais difícil de ser encontrado e também de encontrar alguém (coitado de quem era o milú).

Ainda resido nesta mesma cidade, mas as coisas não são mais as mesmas. Ainda não temos um shopping, o mais próximo fica a uma hora daqui. Agora temos cinema, redes de fast food e mais insegurança. Já não é tão seguro deixar as crianças na rua até as 22h, 23h, como era antes. Já não há tanta liberdade. Ao mesmo tempo em que diminuíram as oportunidades de experiências ao ar livre, aumentaram as opções dentro de casa. Agora cada pessoa tem acesso à internet, celular e computador. Antes, tínhamos uma TV na sala para todos assistirem, concorrendo entre os desenhos do filho, a novela da mãe e o jornal do pai. No máximo, havia um CD player para o adolescente ouvir suas músicas favoritas. Quando as coisas melhoraram um pouco, uma TV de 14 polegadas no quarto dos filhos. O ponto é que as opções dentro de casa podem parecer mais atraentes para uma criança/adolescente, mas nós, como pais, devemos incentivar e proporcionar outras experiências. Eu fico pensando no que quero proporcionar para Sofia, o que posso aproveitar da minha infância e também oferecer a ela?

Uma coisa que amava fazer era acampar, seja com amigos, com meu pai, com os desbravadores (uma espécie de escoteiros) e acredito que ainda é possível fazer isso hoje. Claro, procurando um camping adequado, seguro, que proporcione maior proximidade com a natureza e permita se afastar um pouco das tecnologias. Não sei se ela puxará mais a mim ou a Thaíse, que odeia acampar, mas vou tentar instigar, aos poucos, a curiosidade, o amor pelos animais e pela natureza como um todo.

Não sei por quanto tempo mais permanecerei na cidade pequena; nunca podemos prever o futuro. No entanto, independente de onde eu esteja, buscarei proporcionar diversão para Sofia, para que, assim como eu, ela possa recordar, lá na frente, diversas histórias sobre o quão divertido foi.