Deixou o não deixo?



Tenho a impressão de que tudo, exatamente tudo que faço agora em relação à Sofia, alterará o futuro dela. Eu sei que grande parte dos traumas de adulto dela será gerada por mim, assim como grande parte dos meus traumas foram gerados pelos meus pais, mas até onde vai minha responsabilidade?
Quando criamos um filho, o que não falta é gente dando pitaco. "Ah, não pega ela sempre que tá chorando porque vai deixar ela mimada demais", "tem que incentivá-la a dar as coisas senão vai ficar egoísta". Boa parte desses "conselhos" acabo relevando, mas e quando sou eu que dou pitaco a eu mesmo?
Sofia está com 1 ano e 6 meses e tudo tem sido uma descoberta. Sobe na caixa de brinquedo, corre o quintal da vó, mexe nas plantas e eu constantemente vivo entre o "se eu deixar ela pode se machucar. Se eu impedir ela pode crescer uma criança com medo". Às vezes, quando a vejo em uma situação de certo risco (controlado, claro), tendo a não dizer: "desce daí, você vai cair!" Porque penso comigo mesmo que já estou limitando-a, e quem sabe já não estou instaurando o primeiro trauma?
E quantas outras coisas não permeiam meus pensamentos. O uso da tecnologia, por exemplo, como desenvolvedor sei os malefícios e benefícios do uso prematuro das novas tecnologias. Não somos daqueles pais que na primeira oportunidade dão o celular pra ela para que nos dê alguns minutos de folga, mas e se programação for como aprender um outro idioma que, quanto mais cedo, mais fluente a pessoa fica? Deveria dar um livro de programação orientada a objetos desde cedo?
São esses os tantos desafios de ser pai, tenho certeza que muita, mas muita coisa não está ao meu controle, contudo sigo perguntando: deixo ou não deixo?