Conquistas



Hoje, enquanto escrevo este texto, estamos na reta final do ano de 2024. E o que vem sempre no final do ano, além de amigo secreto e especial do Roberto Carlos? Reflexões!
No meu trabalho, fizeram uma dinâmica para gravar um vídeo institucional. A dinâmica consistia em escrever em um post-it: "Qual foi a sua maior conquista no ano de 2024?" Eu travei! Para mim, a pergunta é muito objetiva. Na minha visão, uma conquista está relacionada a algo que ativamente me esforcei para alcançar. Não foi algo que ganhei, que alguém ou o universo me deu. Não foi algo que aconteceu ao acaso. Uma conquista requer um esforço consciente. E, se minha memória não está me traindo, não me lembro de muitas conquistas neste ano.
Muitas pessoas colocaram suas conquistas: "Comprei uma casa", "Casei", "Me formei"…
E eu?
Alguns escreveram coisas pelas quais eram gratos: "Escapei de um acidente", "Minha saúde", "A saúde da minha família"…
Refletindo sobre essa gratidão, percebi que, se fosse para listar o que sou grato, aí sim minha lista seria grande.
Sou grato pela minha saúde e pela saúde da minha família, principalmente pela saúde da Sofia. Ela é uma menina forte, que dificilmente fica doente e está se desenvolvendo como nunca.
Sou grato pelo meu casamento. Pelo meu emprego.
Sou grato por ter minha família perto novamente.
Sou grato por todo aprendizado.
Sou grato pelos projetos pessoais estarem avançando.
Minha resposta foi extremamente genérica. Porém, agora, refletindo mais uma vez, descubro que acabei de encontrar minha maior conquista: a oportunidade de poder ser grato.
Ser grato não é algo comum para mim. Não sou "gratiluz". Tenho me tornado cada vez mais ranzinza e pessimista. Porém, refletir sobre isso me fez perceber que essas coisas não me impedem de ser grato.
Ontem aconteceu um dos episódios mais esquisitos para mim: vi uma pessoa falecer. Uma jovem morreu de forma súbita. Os paramédicos tentavam reanimá-la, mas ela não resistiu. Foi um choque. Eu não a conhecia, mas um monte de coisas passou pela minha cabeça. E a principal? Poderia ser eu. Mas não foi.
Com isso, fui empurrado diretamente para aquele ponto: eu tenho que ser grato pelo acaso me deixar um pouco mais. Não "ter" no sentido de obrigação, mas porque, neste momento, fui levado a acreditar nisso. A qualquer momento, posso ir também. Porém, sou grato pelo tempo a mais que ainda tenho aqui.